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Mais vítimas da tragédia no Hospital Badim são enterradas no Rio

O sábado (14) chuvoso no Rio, o penúltimo deste inverno, marca a despedida de pelo menos cinco famílias aos entes que morreram na tragédia ocorrida na quinta-feira (12) no Hospital Badim, no Maracanã, Zona Norte do Rio. Dos 11 mortos, cinco serão enterrados em cemitérios distintos da cidade ao longo do dia.

Um dos funerais realizados pela manhã foi o de Luzia dos Santos Melo, de 88 anos. Seu corpo foi velado e enterrado por volta das 10h no Cemitério São Francisco Xavier, no Cajú, Zona Portuária do Rio.

Filho se despede da mãe, Luzia dos Santos Melo, a quem tentou salvar durante o incêndio, mas foi impedido pelos bombeiros — Foto: Raoni Alves/G1

Filho se despede da mãe, Luzia dos Santos Melo, a quem tentou salvar durante o incêndio, mas foi impedido pelos bombeiros — Foto: Raoni Alves/G1

Luzia estava internada desde quarta-feira (4) no Hospital Badim e tinha a previsão de receber alta médica na próxima semana. Nascida no Maranhão, ela morava em Cascadura, na Zona Norte do Rio, e deixou cinco filhos vivos, de um total de seis.

Um dos seis filho de Luzia, Emanuel, contou em entrevista na sexta-feira que foi impedido de salvar a mãe. Ele relatou demora na evacuação do prédio e despreparo da equipe em lidar com aquela situação. A mãe dele estava no CTI localizado no primeiro andar do prédio e não resistiu às complicações provocadas pela fumaça.

Filho de paciente morta critica hospital e atuação dos bombeiros no interior da unidade

Filho de paciente morta critica hospital e atuação dos bombeiros no interior da unidade

Já no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte, foi enterrado, por volta das 10h30, o corpo de Darcy da Rocha Dias, de 88 anos. Ela estava internada tratando um enfisema pulmonar.

O rapaz reclamou que a família não se sentiu acolhida pelo hospital diante da tragédia e que eles só souberam da morte de Darcy através do Corpo de Bombeiros.

“A gente achou que houve uma falta de comunicação, falta de respeito mesmo por parte do hospital. Nós não nos sentimos acolhidos. Parece que eles seguraram as informações… Só soubemos pelos bombeiros, ninguém do hospital nos informou dos óbitos”, disse o neto.

Parentes e amigos se despedem de Darcy da Rocha Dias, de 88 anos, uma das 11 vítimas do incêndio no Hospital Badim  — Foto: Anita Prado/TV Globo

Parentes e amigos se despedem de Darcy da Rocha Dias, de 88 anos, uma das 11 vítimas do incêndio no Hospital Badim — Foto: Anita Prado/TV Globo

Darcy da Rocha Dias, de 88 anos, estava internada no Hospital Badim com enfisema pulmonar — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Darcy da Rocha Dias, de 88 anos, estava internada no Hospital Badim com enfisema pulmonar — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

No Cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi, também na Zona Norte, está previsto o enterro de duas das vítimas da tragédia. Lá, amigos e parentes velavam os corpos de Virgílio Claudino da Silva, de 66 anos, e Irene Freitas de Brito, de 84 anos.

Virgílio estava internado havia 70 dias no Badim após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Segundo familiares, ele morreu de embolia pulmonar por inalar fumaça do incêndio. Ele deixou dois filhos.

Já Irene Freitas de Brito chegou ao hospital Badim no dia 29 de agosto com uma suspeita de câncer e um quadro de desidratação. Ela tinha seis filhos.

No fim da tarde está previsto, no Cemitério São Miguel, em Campo Grande, na Zona Oeste, o quinto enterro do dia, o de Maria Alice Teixeira da Costa, de 75 anos. Ela estava no terceiro andar do hospital desde segunda-feira, com dores no peito. A filha dela, Tânia, passou a madrugada de quinta para sexta à espera de notícias da mãe, que estava desaparecida. Sua morte só foi confirmada pela manhã.

‘Foi muito rápido’, diz filho impedido de salvar a mãe

O primeiro dos 11 enterros das vítimas da tragédia no Badim aconteceu ainda na sexta-feira. Berta Gonçalves Barreira de Souza, de 93 anos, foi enterrada no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul.

Bertsa sofria com a doença de Parkinson e estava internada no CTI do hospital havia três dias. Quanto o incêndio aconteceu, ela era acompanhada pelo filho, Carlos Uterelo, que tentou sair do hospital junto com a mãe, mas a saída estava obstruída. Ao tentar voltar, foi impedido pelos bombeiros e a mãe ficou entregue à morte.

Berta Souza foi uma das vítimas do incêndio no Hospital Badim — Foto: Reprodução

Berta Souza foi uma das vítimas do incêndio no Hospital Badim — Foto: Reprodução

Incêndio começou no gerador

Além dos 11 mortos, havia outros 77 pacientes internados no Hospital Badim que precisaram ser transferidos para outras unidades. Vinte funcionários também foram hospitalizados.

Na sexta-feira (13), a direção do hospital informou que 103 pessoas estavam internadas na unidade no momento do incêndio. Enfermeiros, médicos, bombeiros e moradores da região ajudaram a acomodar pacientes em colchões nas calçadas da Rua São Francisco Xavier e em uma creche vizinha.

Incêndio no hospital Badim na Tijuca na Rua São Francisco Xavier pacientes são evacuados, camas chegaram a ser montadas no meio da rua, na noite desta quinta-feira (12) no Rio de Janeiro, RJ. — Foto: CELSO PUPO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Incêndio no hospital Badim na Tijuca na Rua São Francisco Xavier pacientes são evacuados, camas chegaram a ser montadas no meio da rua, na noite desta quinta-feira (12) no Rio de Janeiro, RJ. — Foto: CELSO PUPO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Segundo exames preliminares, a maioria das vítimas estava no CTI do hospital e morreu asfixiada com a fumaça, sem queimaduras graves. Algumas sofreram com o desligamento dos aparelhos.

A polícia já sabe que o fogo que atingiu a unidade de saúde na noite de quinta-feira (12) começou num gerador no subsolo do hospital.

A perícia da Polícia Civil será retomada neste sábado (15) após a retirada da água que está no subsolo do prédio onde fica o gerador onde teria começado o fogo. O trabalho de retirada da água começou na sexta-feira às 18h10, como informou o RJ2.

Mortos na tragédia (veja quem são):

  1. Alayde Henrique Barbieri
  2. Ana Almeida do Nascimento, 90 anos;
  3. Berta Gonçalves Barreira de Souza, 93 anos
  4. Darcy da Rocha Dias, 88 anos
  5. Irene Freiras de Brito, 84 anos;
  6. Ivone Cardoso; 75 anos;
  7. José Costa de Andrade; 79 anos;
  8. Luzia dos Santos Melo, 88 anos;
  9. Maria Alice Teixeira da Costa, 76 anos;
  10. Marlene Menezes Fraga, 85 anos
  11. Virgílio Claudino da Silva, 66 anos.

Sobre o hospital

O Hospital Badim é uma unidade de saúde particular que faz parte da Rede D’Or São Luiz. O prédio que pegou fogo foi construído há 19 anos no Maracanã. Outro prédio, anexo a ele, foi inaugurado em 2018. Ao todo, o complexo hospitalar tem 15,7 mil m² de área construída, 128 leitos de internação, 32 leitos de tratamento intensivo e cinco salas de centro cirúrgico, de acordo com o site institucional.

G1

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